Memórias que quero apagar.

Posted by in Desabafo, Dificuldades

Serena,

Conforme se aproxima o seu aniversário de 1 ano, as memórias do seu nascimento e dos dias que o sucederam vão ganhando força.

Eu gostaria muito de poder te dizer que aqueles dias foram os melhores das nossas vidas, mas eles foram difíceis, filha. Muito difíceis. Suponho que tanto para mim, quanto para você. Afinal, você acabava de sair de um ambiente quentinho e seguro para um lugar frio e uma mãe chorona.

Porque eu chorava. Chorava muito. Mas eu não quero que você pense que chorava por sua culpa. Não há culpas nem culpados, filha. Eu chorava porque existe uma coisa chamada depressão pós-parto. Apesar de algumas pessoas acharem que é frescura, besteira ou até falta de Deus ou de amor, a depressão é real. Ela é real e assusta, amor.

Confesso que ela me dominou nos primeiros dias da sua vida. Eu me senti impotente, triste, fracassada. Eu não via luz no fim do túnel. Eu quis morrer.

Mas assim como ela chegou, ela se foi em algumas semanas. Seu pai me ajudou muito. Ele cuidou de você, ele cuidou da casa e de mim. E me permitiu sofrer o meu luto pessoal.

Sim, Serena. Foi como um luto, pois nossas vidas nunca mais seriam as mesmas. Agora eu seria mãe, e seria eternamente responsável por ti. Aquele barrigão que se movia e me deixava embasbacada seguia lá no meu corpo, mas agora sem um bebê protegido.

Aquele bebê que eu nutri com meu corpo, estava acá, do lado de fora. E ele, no caso, você, precisava de mim.

Filha, não pense que a mami não te amou. Você foi tão amada, e foi um amor tão sufocante que ele escorria em forma de lágrimas, e me apertava forte o coração. E eu não soube equilibrar este amor.

Espero, Serena, que este post possa enterrar de vez este fantasma que insiste em me assustar. E espero que ele seja fonte de esperança à todas as novas mães que estejam passando por isso.

Com amor,

Mami.