Questão de controle.

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Dia desses no twitter, eu li uma pergunta que me fez pensar: Existe mãe que não seja controladora? 

Dai, nós mães super descontraídas, veganas, que não usamos shampoo com  sulfato e só comemos orgânicos, e colocamos os filhos em escolas waldorf respondemos em uníssono: Claro! Eu não sou NADICA controladora! Crio meu filho para o mundo, para que seja livre e faça suas próprias escolhas! cof cof cof!

Eu mesma me via super aberta, super desconstruidona, A moradora da zona leste de BH, frequentadora de museus e bares alternativos. Dai veio a maternidade, e PLAFT na minha cara desconstruída.

Dia desses eu comprei uns tênis de LED para Serena. Gente, o tênis parece uma nave espacial, é super legal, muito iluminado, muito bacanudo mesmo o tênis.

Chegamos em casa, eu entrego os tênis para aquele pequeno ser, esperando uma reação de alegria e contentamento. Esperava gritinhos e risadas. Mas não… a muito da danada vira para mim e fala:

– Eu não quero!

(What??? Comassim ela não quer os tênis que EU dei, que ME deu o maior trabalho para encontrar?)

Ela fala com a cara mais inocente do mundo:

 – Eu amo meu tênis, mamaim!

(What??? Comassim ela ama esses tênis de terceira mão, todo carcomido? Porque ela nao ama os tênis que EU dei? Como? Oh, céus!)

Eu, como mãe desconstruidona que sou, cof cof cof, nao forcei que ela usasse os malditos tênis de LED, não xinguei nem nada, mas fiquei com cara de cachorro pidão no sofá…dai Serena bate nas minhas coxas e fala:

– Tá bom, mamaim, eu gosto do tênis sim, tá?

Ai bateu aquele arrependimento, bateu aquela necessidade de refletir, de me martirizar, porque,né? Isso é o que eu faço, é o meu jeitinho. Vem comigo problematizar, vem:

  1. Usar os tênis x ou y iriam mudar a minha vida? Não.
  2. Ela corria algum risco usando os tênis velhos surrados? Não.
  3. Então porque eu queria tanto que ela usasse os tênis de LED? Será que era porque eu os havia comprado, e eu queria reconhecimento pelo ato? Seria para alimentar meu próprio ego, caros amigos? SIM.

Pois bem, respondendo à pergunta inicial do texto: Existe mãe que não seja controladora?

Não. Alias, todo mundo é um pouco controlador. Controlamos nosso peso, controlamos nossos horários, controlamos nossa rotina. Mesmo aqueles que se acham muito livres de amarras, de uma forma ou de outra, controla um pouco de algo.

Controlamos o que lemos, o que escutamos, onde vamos.

E quando temos nossos filhos a questão do controle e do ego se torna mais destacada: Escolhemos o nome de uma pessoa, as primeiras peças de roupas, escolhemos onde e como e se essa pessoa será batizada (mesmo que ela não faça ideia do que seja igreja ou Deus), afinal, os filhos são do mundo, mas enquanto eles moram conosco e comem da nossa comida, cof cof cof…eles devem seguir as nossas regras. rsrsrs (Quem lembrou das  próprias mães e sentiu o cuspe na testa, coloca mão aqui!)