Tragédias Humanas

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Que a vida é um ciclo todo mundo sabe. Se tudo der certo, a gente nasce, cresce, trabalha, aposenta, envelhece e morre bem velhinho.

Mas nada é linear. As coisas acontecem e algumas vezes não há nada que possamos fazer. Li um texto na newsletter do Tarrask , que dizia mais ou menos assim: Se você não pode mudar determinada coisa com dinheiro ou força, é melhor aceitar que foi uma fatalidade.

Pois sim, fatalidades acontecem toda hora, com todo mundo, sejam ricos ou pobres.

Gente morre engasgada com uma coxa de galinha, tropeçando na rua ou levando um tijolo na cabeça que caiu de um prédio qualquer.

Camila, por que você tá falando tudo isso? Bom, ontem eu li que o estado de saúde da Dona Mariza era ruim e o quadro era irreversível. Pronto. A pobre mulher está fadada a morrer, aliás, quem não está?

Lendo acerca do caso, lembrei do meu pai.

Meu pai é dessas pessoas que tem uma bagagem de vida enorme, desses que fala das misérias da vida com um certo ar de saudosismo, mas conformado.

Ele perdeu muita gente em sua vida, perdeu os pais, alguns irmãos, e quase perdeu a esposa e a filha (eu). Mas mesmo assim, ele segue ali, forte como um carvalho.

Da morte dos meu avô eu só sei o que meu pai me conta, pois nunca o conheci. E uma coisa ficou gravada na minha memória. Diz meu pai que quando da morte do vô João, o comércio do bairro baixava as portas enquanto o cortejo fúnebre passava.

E que naquele dia, ele olhou para trás e viu o comércio reabrindo as portas, e logo pensou:

-” Meu pai morreu, e as pessoas continuam vivendo a sua vida. O mundo não pára para que enxuguemos nossas lágrimas”

Essa frase ficou marcada em mim. Cheguei à conclusão que fatalidades acontecem, todo mundo vai sofrer uma perda um dia, e apesar de um período de estupor, devemos nos reerguer e seguir em frente.